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Primeiros Socorros

PRIMEIROS SOCORROS:
Primeiros socorros em geral:
EM CASO DE SUSPEITA DE INTOXICAÇÃO: Procure imediatamente o médico, ligue para os telefones de emergências, mencionados nesta bula.
Em caso de ingestão: Não induza vômito. Administrar carvão medicinal repetidamente em grande quantidade de água. Procure imediatamente o médico, levando a embalagem, bula, rótulo ou receita agronômica do produto.
Nota: Nunca dê nada pela boca a uma pessoa inconsciente.
Em caso de contato com a pele:
Remova as roupas contaminadas, lave as partes atingidas com grande quantidade de água e sabão. Se houver irritação, procure imediatamente o médico levando a embalagem, bula, rótulo ou receita agronômica do produto.
Em caso de contato com os olhos:
Lave-os imediatamente com grande
quantidade de água por vários minutos. Se houver sinais de irritação, procure imediatamente o médico levando a embalagem, bula, rótulo ou receita agronômica do produto.
Em caso de inalação: Remova a vítima para local arejado. Se ocorrer parada respiratória, administre respiração artificial, preferivelmente boca a boca. Procure o médico, levando a embalagem, rótulo, bula ou receita do produto.

Tratamento médico – ANTÍDOTO
Sulfato de atropina é o antídoto de emergência em caso de intoxicação. Nunca administre Sulfato de Atropina antes do aparecimento dos sintomas de intoxicação.

Intoxicações por organofosforados
- Informações Médicas -

Grupo químico

Organofosforados

Classe toxicológica

Classe II - Altamente Tóxico

Mecanismo de toxicidade

Inibem permanentemente a enzima acetilcolinesterase através de sua fosforilação, causando acúmulo de acetilcolina e conseqüente superestimulação das terminações nervosas, tornando inadequada a transmissão de seus estímulos às células musculares, glandulares, ganglionares e do Sistema Nervoso Central (SNC).

Vias de absorção

Oral, inalatória, dérmica e mucosas.

Sintomas e sinais clínicos

Os efeitos podem ocorrer minutos ou horas após exposição.
As manifestações agudas são classificadas como:
Muscarínicas (síndrome parassimpaticomimética, muscarínica ou colinérgica): vômito, diarréia,
cólicas abdominais, broncoespasmo, miose puntiforme e paralítica, bradicardia, hipersecreção (sialorréia, lacrimejamento, broncorréia e sudorese), cefaléia, incontinência urinária, visão borrada. Diaforese severa
pode provocar desidratação e hipovolemia graves, resultando em choque.
Nicotínicas (síndrome nicotínica): midríase, mialgia, hipertensão arterial, fasciculacões musculares,
tremores e fraqueza, que são, em geral indicativos de gravidade. Pode haver paralisia de musculatura
respiratória levando a morte. A freqüência cardíaca e a pressão arterial podem estar aumentadas ou
diminuídas, devido aos efeitos muscarínicos.
Efeitos em SNC (síndrome neurológica): ansiedade, agitação, confusão mental, ataxia, depressão
de centros cardio-respiratórios, convulsões e coma. Também podem ocorrer, mais tardiamente, os
seguintes quadros:
Síndrome Intermediária: pode ocorrer entre 24 - 96 h após a exposição e resolução da crise
colinérgica aguda. É caracterizada por paresia dos músculos respiratórios e debilidade muscular que
acomete principalmente face, pescoço e porções proximais dos membros. Também
pode haver comprometimento de pares cranianos e diminuição de reflexos tendinosos, podendo
prolongar-se por meses após a exposição.
Neuropatla Retardada Induzida por Organofosforados: Desencadeada por dano aos axônios de
nervos periféricos e centrais, caracterizada por paresias ou paralisias de extremidades,
sobretudo inferiores, podendo persistir durante semanas ou anos. São casos raros, após exposições
agudas e intensas, que também podem desencadear déficit residual de natureza neuro-psiquiátrica, com
comprometimento da memória, concentração e iniciativa.

Metabolismo / farmacocinética

Após absorção, são distribuídos por todos os tecidos do organismo, atingindo altas concentrações no
fígado, onde é metabolizado, e nos rins, que os excretam. A meia-vida destes inseticidas varia muito,
dependendo da natureza do composto. Alguns metabólitos são mais tóxicos que a substância que os
originou. Nas primeiras 48 h a acetilcolinesterase pode ser desfosforilada pela pralidoxima, recuperando
sua atividade

Diagnóstico

O diagnóstico é estabelecido pela confirmação da exposição, de quadro clínico compatível, associados
ou não a queda na atividade das colinesterases. Queda em 25% ou mais de sua atividade original indica exposição
importante. Queda de 50% é geralmente associada com exposição intensa. A pseudocolinesterase é um
indicador sensível, mas não específico. Ambas podem demorar de 3-4 meses para se normalizar.
A identificação das substâncias e seus metabólitos em sangue e urina pode evidenciar exposição, mas não
são facilmente realizáveis. Outros controles incluem: eletrólitos, glicemia, creatinina, amilase pancreática,
enzimas hepáticas, gasometria, ECG (prolongamento de QT), RX tórax (edema pulmonar e aspiração).
Convém considerar a possibilidade de associação do organofosforado a outros tóxicos, o que pode
alterar ou potencializar o perfil clínico esperado. Em se apresentando sinais e sintomas indicativos de
intoxicação, trate o paciente imediatamente, não condicionando o início do tratamento a confirmação
laboratorial.

Tratamento

As medidas abaixo relacionadas, especialmente aquelas voltadas para a adequada oxigenação do
intoxicado, devem ser implementadas concomitantemente ao tratamento medicamentoso e a
descontaminação.
Descontaminação: Visa limitar a absorção e os efeitos locais.
ADVERTÊNCIA: A pessoa que presta atendimento ao intoxicado, especialmente durante a adoção das
medidas de descontaminação, deverá estar protegida por equipamentos de segurança, de forma a não se
contaminar com o agente tóxico.
1. Remover roupas e acessórios, e proceder descontaminação cuidadosa da pele (incluindo pregas,
cavidades e orifícios) e cabelos, com água fria abundante e sabão. Remover a vítima para local ventilado
2. Se houver exposição ocular. irrigar abundantemente com Soro Fisiológico ou água, por no mínimo 15
minutos, evitando contato com a pele e mucosas.
3. Em caso de ingestão recente, proceder à lavagem gástrica. Atentar para nível de consciência e
proteger vias aéreas do risco de aspiração. Administrar carvão ativado na proporção de 50 - 100 g em
adultos e 25 - 50 g em crianças de 1-12 anos, e 1 g/Kg em menores de 1 ano, diluídos em água, na
proporção de 30 g de carvão ativado para 240 ml de água.
4. Emergência, suporte e tratamento sintomático: Manter vias aéreas pérveas, se necessário
através de entubação oro-traqueal, aspirar secreções e oxigenar. Atenção especial para fraqueza de
musculatura respiratória e parada respiratória repentina, hipotensão e arritmias cardíacas. Adotar
medidas de assistência ventilatória, se necessário. Monitorar oxigenação (oximetria ou gasometria),
ECG, amilase sérica. Tratar pneumonite, convulsões e coma se ocorrerem. Manter observação por
no mínimo 24 horas após o desaparecimento dos sintomas.
Específico e antídotos:
A administração de Atropina só deverá ser realizada na vigência de sintomatologia. Não deverá ser
administrada se o paciente estiver assintomático.

Atropina - agente antimuscarínico - é usada para reverter os sintomas muscarínicos, não os
nicotínicos, na dose de 2,0 - 4,0 mg, em dose de ataque (adultos), e 0,05 mg/Kg em crianças, EV.
Repetir se necessário a cada 5 a 10 minutos. As preparações de Atropina disponíveis no mercado, normalmente têm a concentração de 0,25 ou 0,50 mg / ml. O parâmetro para a manutenção ou
suspensão do tratamento é clínico, e se baseia na reversão da ausculta pulmonar indicativa de
broncorréia e na constatação do desaparecimento da fase hipersecretora, ou sintomas de intoxicação
atropínica (hiperemia de pele, boca seca, pupilas dilatadas e taquicardia). Alcançados sinais de
atropinização, ajustar a dose de manutenção destes efeitos por 24 horas ou mais. A presença de
taquicardia e hipertensão não contra-indica a atropinização.
- Manter em observação por 72 horas, com monitorização cardio-respiratória e oximetria de pulso. A
ação letal dos organofosforados pode ser comumente atribuída a insuficiência respiratória, pelos
mecanismos de: broncoconstrição, secreção pulmonar excessiva, falência da musculatura respiratória e
conseqüente depressão do centro respiratório por hipóxia. Devido a esta complicação, manter a
monitoração e tratamento sintomático.
É Indicado supervisão do paciente por pelo menos 48 horas
Oximas-Pralidoxima - é um antídoto específico para organofosforados. Sua ação visa restaurar a
atividade da colinesterase, o que justifica coleta de amostra de sangue heparinizado prévia a sua a
dministração, para estabelecimento da efetividade do tratamento. Age em todos sítios afetados
(muscarínicos, nicotínicos e provavelmente em SNC). Não reativa a colinesterase plasmática.
Dose de ataque:
Adultos: 1-2 g preferencialmente EV, podendo ser utilizada IM ou SC, em doses não maiores que
200 mg/minuto, diluídos em Soro Fisiológico, podendo ser repetida a partir de 2 horas após a primeira
administração, não ultrapassando a dose máxima de 12 g/dia.
Crianças: 20 a 40 mg/kg preferencialmente EV, podendo ser utilizada IM ou SC (não exceder 4
mg/kg/min).
Deve ser iniciada nas primeiras 24 hs, para ser mais efetiva, mas pode ser realizada mais tarde.
Se ocorrer convulsões, o paciente pode ser tratado com Benzodiazepínicos sob orientação médica.
A diálise e hemoperfusão não estão indicadas.

Contra-indicações

Emese - em razão do risco potencial de aspiração. Morfina, succinilcolina, teofilina, fenotiazinas
e reserpina. Aminas adrenérgicas só devem ser usadas em indicações específicas devido a
possibilidade de hipotensão e fibrilação cardíaca.

Efeitos sinérgicos

Com outros organofosforados ou carbamatos.

Atenção

As Intoxicações por Agrotóxicos estão incluídas entre as Enfermidades de Notificação Compulsória.
Comunique o caso e obtenha informações especializadas sobre o diagnóstico e tratamento através
do telefone: CIT - 0800-410148 (PR), Tel.: 0800 704 4304